quarta-feira, 4 de abril de 2012

Como expressar minhas emoções

expressar_emocoes“A maior felicidade da vida é a convicção de que somos amados; como nós somos, ou melhor, apesar de como nós somos.” - Victor Hugo.

Nesta frase, Victor Hugo expressa o nível de amor que deve ser alcançado no relacionamento a dois: amor incondicional. Somente este tipo de amor nos proporcionará a inteligência emocional de que tanto necessitamos para expressar, com sabedoria, nossas emoções.

Na vida a dois nos deparamos com momentos que dá vontade de dizer: “Eu não te falei?”, “Eu sabia que iria dar nisso!”, quando o seu conselho não foi atendido. A vontade é de expressar indignação com ironia e sarcasmo.

Segundo Everett Worthington, no casamento, parceiros sempre ferirão um ao outro, mas “a principal habilidade cotidiana para sobreviver e crescer no matrimônio chama-se reconciliação” e isto envolve perdão. Segundo a Associação Americana de Psicologia, perdão é o processo mental e/ou espiritual de deixar de sentir ressentimento, indignação e revolta contra a outra pessoa, ou deixar de exigir punição ou restituição.

Parece um pouco complicado deixar de nos ressentir quando somos ignorados e enganados, magoados uns cem números de vezes, quando promessas não são cumpridas, quando sofremos decepções, quando nossa vida perde o sentido e roubam nosso sorriso, quando parece que o mundo acaba em decorrência do que alguém fez conosco. Talvez a dor seja menor quando isso acontece com alguém que não é do nosso convívio diário, mas a grande questão é quando uma, ou mais dessas atitudes são praticadas por alguém que está ao nosso lado 24 horas por dia. O resultado vai desde um afastamento cada vez maior até uma explosão verbal que causa dor, desentendimento e sofrimento, ficando uma situação insustentável para ambos. Como expressar suas emoções diante de tal situação?

Em uma carta escrita no ano de 1901 para um casal que estava pensando em se separar devido à incompatibilidade de temperamentos que gerava conflitos, a autora sugere o seguinte: “marido e mulher devem cultivar respeito e afeição um pelo outro. Devem guardar o espírito, as palavras e as ações a fim de que nada seja dito ou feito que irrite ou moleste. Deve cada um ter cuidado do outro, fazendo tudo em seu poder para fortalecer sua mútua afeição... deixe que a lei da bondade esteja em teus lábios. Podes e necessitas mudar de atitude.” Somente assim eles poderiam salvar seu casamento.

Segundo Kay Kusma, em seu livro Criando Amor, as emoções negativas (gigantes emocionais que precisam ser encolhidos) são as principais causas de nossa incapacidade de controlar a ira e as críticas. Segundo ela quando você não gosta do que alguém faz, e se sente usado ou perseguido é impossível tratar essa pessoa com respeito e muito menos cuidar das necessidades dela com amor, pois você está fervendo por dentro e nutrindo ressentimento, amargura e sentimento de vingança. É preciso expressar esse sentimento, mas de forma a não magoar.

Kusma se refere às emoções a seguir como negativas e problemáticas: aborrecimento, aflição, agitação, agressividade, amargura, ansiedade, cansaço, carência, ciúme, condenação, confusão, crueldade, culpa, depressão, desalento, desânimo, desapontamento, desaprovação, desconforto, descrédito, desdém, desespero, desinteresse, desorganização, desprezo, desvalorização, nojo, estar sempre na defensiva, explosividade, frieza, frustração, fúria, histeria, hostilidade, humilhação, impaciência, inadequação, incompetência, insatisfação, insegurança, inutilidades, ira, irracionalidade, irritação, mágoa, maldade, mau humor, medo, melancolia, ódio, opressão, pessimismo, preguiça, raiva, rancor, rebeldia, remorso, ressentimento, rudeza, sobrecarga, solidão, suspeita, tédio, tentação, terror, timidez, tirania, tormento, tristeza, vaidade, vergonha, vingança, violação, volubilidade, zanga. Ufa! 75 itens, quanta coisa!...

Uma pessoa que sinta uns cinco itens desta lista, com certeza, expressará suas emoções com raiva, e assim, provavelmente usará suas palavras para ferir o outro. De acordo com Kusma, se estas emoções tomarem conta de você por muito tempo elas serão negativas, mas há uma maneira delas se tornarem positivas: é fazendo com que não durem mais que 30 segundos, pois é o tempo suficiente para você perceber que está experimentando um sentimento desconfortável, e escolher fazer alguma coisa para que esse sentimento não continue crescendo. É a famosa estória de não deixar o passarinho fazer ninho em sua cabeça, já que não há como impedi-lo de voar sobre ela. É preciso muito esforço, pois não é coisa fácil ter o desejo de “soltar os cachorros” e falar tudo que está sentindo, sem ferir o cônjuge.

Então, como resolver a situação sem que ninguém saia magoado e para que não passe dos 30 segundos?

A palavra de Deus diz: “tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama... seja isto o que ocupe o vosso pensamento.” Fil. 4:8. Então, quando uma dessas emoções lhe afligirem, imediatamente troque-a por um verso da Palavra de Deus ou por um pensamento bom, ore pedindo paciência e o socorro divino.

É necessário clamar para que Deus retire as coisas ruins do seu coração e as substitua pelo perdão.

Kusma sugere que a comunicação consistente e amorosa é uma necessidade. Se você não está sobrecarregado com as emoções negativas, pode falar diretamente sobre o assunto que está lhe incomodando com serenidade e objetividade. Mas com discórdia, as emoções se incendeiam e o problema começa quando alguém levanta a voz e bate o pé. Se não agir rapidamente, entregando suas emoções negativas a Deus, elas o controlarão. Por isso, antes de falar e agir, sempre converse com Deus sobre suas emoções para que sejam subjugadas pelo poder do Espírito Santo.

Após essa entrega completa a Deus o sentimento precisa ser expresso de maneira serena e sem ressentimento, mas para isso é preciso lembrar o que você está sentindo, portanto deve iniciar-se com a afirmação constituída de três partes: a) eu me sinto, na qual será definida claramente a emoção negativa que está sentindo (quanto mais específica, melhor); b) quando, na qual será colocada a situação da qual a emoção decorre; e por fim c) porque, na qual será colocada a razão pela qual você está se sentindo assim.

Então vamos escolher uma emoção negativa da lista para fazermos a frase completa: numa situação em que os dois trabalham fora e quando chegam a casa a esposa vai para a cozinha preparar o jantar e lavar a louça e o marido fica vendo TV. Sentimento: frustração – “eu me sinto frustrada quando você não me ajuda a lavar a louça, porque não é justo eu lavá-la sozinha, pois também trabalhei o dia inteiro.”

Zanga – “eu me sinto zangada quando ouço rumores de que você falou mal de mim, porque eu prezo por minha reputação.”

É claro que antes de fazer esta última expressão é necessário ouvir o outro para saber se, de fato, o rumor tem fundamento e para isto é preciso realmente perguntar com serenidade, sem tom de acusação. O que atrapalha muitas vezes é o tom acusatório na hora de se resolver um problema. Mesmo na afirmação com as três partes, deve-se ter o cuidado para não dar opinião, ao invés de expressar o sentimento. A afirmação passa de expressão de sentimento para opinião no momento em que eu coloco “eu sinto que você...” e não “eu me sinto...”.

Esta estratégia do “eu me sinto” serve para expressar o sentimento em quaisquer relacionamentos: com o cônjuge, com os filhos, amigos etc. e ela é uma forma de fazer com que os outros saibam o que vai dentro de nós. Os sentimentos positivos também precisam ser expressos. Quanto mais expressões de emoções positivas, mais resistente contra emoções negativas você será, então quando estiver feliz, aliviada, contente, diga assim: “eu me sinto aliviada quando chego a casa e a encontro limpa, porque prefiro gastar meu tempo com você a ficar fazendo o trabalho doméstico.” Ele se sentirá valorizado e valorizará você também. E os dois serão felizes para sempre!...

Bibliografia

KUSMA, Kay. Criando Amor. 2ª edição. São Paulo, Centro Adv. De Artes Gráficas, 2004

WORTHINGTON, Everett. Aconselhamento Conjugal. 2ª edição Brasília-DF. Palavra, 2007

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