terça-feira, 3 de abril de 2012

Fertilidade x Esterilidade no meio evangélico


FERTILIDADE.jpg (400×300)
Por Pastor Ismael.
Pouca importância se tem dado a esse tema em meio aos evangélicos, mas quem quer viver um casamento segundo a vontade de Deus precisa estar atento a essa questão.
Outro dia uma jovem perguntou se a “pílula do dia seguinte” poderia ser usada por uma cristã. Outra queria saber se a igreja católica tem razão quando condena até mesmo o preservativo ( “camisinha”),e ainda, outra tinha dúvidas se seria pecado passar por uma cirurgia de “ligadura” de trompas, ou não.
Ora, voltemos às escrituras Sagradas. Deus fez do casamento um relacionamento de uma só carne ( Gn 2.24), tendo aí uma conotação sexual. Depois emana a sua primeira ordem ao casal, eles devem frutificar e se multiplicar ( Gn 1:28). De fato, na Bíblia , a fertilidade é apresentada como um benção ( cf. Ex 23.265,Dt 7.14, Sl113.9, 127.4-5,128.3,4) . E poderíamos ainda ver a ordem de Deus para os homens que se casavam, eles deveriam permanecer em suas casas, não poderiam ir à guerra e nem lhes ser exigido trabalhos forçados, como uma medida para que procriação acontecesse, e isso num período de um ano ( Dt 24.5). Havia também a Lei do Levirato, onde o propósito era de que um irmão gerasse filho para um homem casado que morreu sem ter deixado descendência. Fica claro, que está é a vontade de Deus, a procriação, a multiplicação.
A esterilidade, no Velho Testamento, era vista como uma maldição, resultante do pecado pessoal, caso de Abimeleque (Gn 20.17-18) e de Mical, mulher de Davi (2Sm 6.16-23). E em outras passagens a esterilidade é registrada como algo natural, próprio da realidade humana, como no caso de Sara, Rebeca e Raquel (Gn 11.30; Gn 25.21; Gn 30.1).
Vemos também Deus respondendo orações e tornando férteis essas mulheres e outras ( ver Gn 15.2-5; 20.17; Gn 25.21, Gn 30.17; 1Sm 1.9-20), deixando claro que é possível solucionar tal problema a partir da fé, porém a Bíblia não apresenta essa alternativa como uma promessa.
Dessa forma, entendemos que quando o casal provoca alterações na sua condição de fertilidade, tornando-se estéril, isso se choca com os valores e princípios de Deus. É tratar com descaso aquilo que Deus nos dá como uma benção, é o mal sendo chamado de bem ( Is 5.20).
Métodos contraceptivos devem ser recursos que evitam uma concepção, não devendo ser abortivo como é o caso de alguns métodos como a “pílula do dia seguinte”.
Veja o importante artigo do Dr.Albert Mohler Jr.(presidente do Southern Baptist Theological Seminary – a principal escola da Convenção Batista do Sul e um dos maiores seminários do mundo.)
“ A efetiva separação entre sexo e procriação talvez seja uma das mais importantes marcas definidoras da nossa era. E uma das mais deploráveis. Esta percepção está se alastrando entre os evangélicos americanos e promete provocar uma verdadeira explosão.
A maioria dos protestantes evangélicos recebeu o advento das modernas tecnologias de controle de natalidade com aplausos e alívio. Desprovidos de qualquer teologia significativa do matrimônio, sexo ou família, os evangélicos deram as boas-vindas ao desenvolvimento da "pílula" da mesma forma que o mundo celebrou a descoberta da penicilina - como mais um marco na inevitável marcha do progresso humano e da conquista da natureza.
“....Para muitos cristãos evangélicos, controle de natalidade é um assunto de preocupação somente para católicos. Quando o Papa Paulo VI publicou a sua famosa encíclica considerando errado o controle de natalidade artificial, “Humanae Vitae”, a maioria dos evangélicos respondeu com descaso, talvez agradecidos porque evangélicos não têm nenhum Papa que pudesse proclamar um edito semelhante. Casais evangélicos tornaram-se dedicados usuários das tecnologias de controle de natalidade indo desde a pílula até métodos de bloqueio e dispositivos intra-uterinos [DIU]. Tudo isso está mudando e uma nova geração de casais evangélicos está fazendo novas perguntas.
Um número crescente de evangélicos está repensando o assunto "controle de natalidade", e encarando as duras perguntas propostas pelas tecnologias reprodutivas. Vários desenvolvimentos contribuíram para esta reconsideração, mas o mais importante deles é a revolução do aborto. A primeira resposta evangélica ao aborto legalizado foi lamentavelmente inadequada. Algumas das maiores denominações evangélicas aceitaram, em princípio, pelo menos alguma versão de aborto a pedido.
A consciência evangélica foi despertada no fim da década de setenta, quando a realidade homicida do aborto não podia mais ser negada. Um forte rearranjo da convicção evangélica ficou evidente na eleição presidencial de 1980, quando o aborto funcionou como estopim para uma explosão política. Protestantes conservadores emergiram como importantes personagens no movimento pró-vida, enquanto se levantavam lado a lado com os católicos em defesa dos ainda não-nascidos.
A realidade do aborto forçou, por sua vez, uma reconsideração de outros assuntos. Ao afirmar que a vida humana deve ser reconhecida e protegida desde o momento da concepção, os evangélicos crescentemente reconheceram os Dispositivos Intra-uterinos [DIU] como abortivos e rejeitaram qualquer controle de natalidade com qualquer objetivo ou resultado abortivo. Essa convicção está lançando agora uma nuvem de dúvida sobre a pílula também.
Dessa forma, em uma virada irônica, os evangélicos americanos estão repensando o controle de natalidade até mesmo em um momento em que a maioria dos católicos romanos da nação demonstra uma rejeição ao ensino da igreja deles. Como os evangélicos deveriam pensar sobre a questão do controle de natalidade?
Primeiro, devemos começar com uma rejeição da mentalidade anticoncepcional que vê gravidez e filhos como imposições a serem evitadas em vez de presentes a serem recebidos, amados e nutridos. Essa mentalidade anticoncepcional é um insidioso ataque à glória de Deus na criação e ao dom da procriação dado pelo Criador ao casal casado.
Segundo, precisamos afirmar que Deus nos deu o dom do sexo para vários propósitos específicos e um desses propósitos é a procriação. O matrimônio representa uma perfeita rede de presentes divinos, incluindo prazer sexual, vínculo emocional, apoio mútuo, procriação e paternidade. Nós não devemos desconectar estes "bens" do matrimônio e escolher somente aqueles que desejamos para nós mesmos. Todo casamento deve estar aberto à dádiva de filhos. Até mesmo onde a habilidade de conceber e dar à luz filhos porventura esteja ausente, o desejo de ter filhos deve estar presente. Buscar prazer sexual sem abertura a ter filhos é violar uma responsabilidade sagrada.
Terceiro, nós deveríamos olhar de perto para o argumento moral católico da forma como se acha em Humanae Vitae. Os evangélicos ver-se-ão em surpreendente acordo com muito do argumento da encíclica. Como advertiu o Papa, o uso difundido da pílula levou a "sérias conseqüências" que incluem infidelidade matrimonial e imoralidade sexual desenfreada. Na realidade, a pílula permitiu um quase total abandono da moralidade sexual cristã na cultura em geral. Quando o ato sexual foi separado da probabilidade de gravidez, a estrutura tradicional de moralidade sexual desmoronou.
Para a maioria dos evangélicos, o principal rompimento com o ensino católico está na insistência de que "é necessário que cada ato conjugal permaneça ordenado em si mesmo para a procriação da vida humana". Ou seja, que todo ato conjugal deve estar completa e igualmente aberto à dádiva de filhos. Isso é ir longe demais, e coloca importância desmedida em relações sexuais individuais, em lugar da integridade mais abrangente do laço conjugal.
O foco em "cada ato conjugal" dentro de um matrimônio fiel que está aberto à dádiva de filhos vai além da exigência bíblica. Considerando que a encíclica não rejeita todo e qualquer planejamento familiar, este foco requer a distinção entre métodos "naturais" e "artificiais" de controle de natalidade. Para a mente evangélica, esta é uma distinção bastante estranha e artificial. Olhar para a posição católica ajuda, mas os evangélicos também têm que pensar por si mesmos, raciocinando a partir das Escrituras em uma cuidadosa consideração.
Quarto, casais cristãos não são ordenados pela Bíblia a maximizar o número de filhos que poderiam ser concebidos. Dado nosso estado geral de saúde em sociedades avançadas, um casal que se casa com vinte e poucos anos e tem uma vida sexual saudável e regular poderia produzir tranqüilamente mais de quinze descendentes antes da esposa chegar aos quarenta e poucos anos. Tais famílias deveriam ser corretamente honradas, mas este nível de reprodução certamente não é ordenado pela Bíblia.
Quinto, com tudo isso em vista, casais evangélicos podem, às vezes, escolher usar contraceptivos para que possam planejar suas famílias e desfrutar dos prazeres do leito matrimonial. O casal deve considerar todos estes assuntos com cuidado e deve verdadeiramente estar aberto à dádiva de filhos. A justificativa moral para usar contraceptivos deve estar clara na mente do casal e ser completamente consistente com o seu compromisso cristão.
Sexto, casais cristãos têm que assegurar-se de que os métodos escolhidos são realmente anticoncepcionais em seus efeitos, e não abortivos.
Nem todo o controle de natalidade é contraceptivo, já que algumas tecnologias e métodos não impedem o espermatozóide de fertilizar o óvulo, mas impedem o ovo fertilizado de implantar-se com sucesso na parede do útero. Tais métodos não envolvem nada menos que um aborto extremamente prematuro. Isto é verdade a respeito de todos os DIU e de algumas tecnologias hormonais. Atualmente tem havido um debate acirrado quanto ao fato de pelo menos algumas formas da pílula também poderem atuar através de um efeito abortivo, em lugar de prevenir a ovulação. Casais cristãos precisam exercer a devida cautela para escolherem uma forma de controle de natalidade que é inquestionavelmente anticoncepcional, em lugar de abortiva.
A revolução do controle de natalidade literalmente mudou o mundo. Os casais de hoje raramente param para pensar no fato de que a disponibilidade de anticoncepcionais efetivos é um fenômeno muito recente na história mundial. Esta revolução provocou uma explosão de promiscuidade sexual e muita miséria humana. Ao mesmo tempo, também ofereceu aos casais pensantes e cuidadosos uma oportunidade de desfrutar a alegria e satisfação do ato conjugal sem estar o tempo todo igualmente aberto à gravidez.
Portanto, os cristãos podem fazer uso cuidadoso e apropriado dessas tecnologias, mas nunca devem se deixar levar pela mentalidade contraceptiva. Nós nunca podemos olhar para os filhos como um problema a ser evitado, mas sempre como um presente a ser recebido com alegria.
Para os evangélicos, muito trabalho precisa ser feito. Nós precisamos construir e cultivar uma nova tradição de teologia moral, extraída das Escrituras Sagradas e enriquecida pela herança teológica da igreja. Até que o façamos, muitos casais evangélicos não vão nem mesmo saber onde começar o processo de pensar a respeito de controle de natalidade em um contexto totalmente cristão. Já está na hora dos evangélicos responderem a esse chamado.”
Para finalizar, o que se espera dos casais cristãos evangélicos é que saibam qual é ação do método contraceptivo que estão usando e certifiquem-se de que não seja abortivo.”
Aqui enumeramos métodos contraceptivos que,salvo melhor juízo, podem ser usados pelos casais cristãos:
-Camisa de Vênus, camisinha.
-Pílulas que agem antes do encontro do espermatozóide com o óvulo, evitando assim a concepção, e não pílulas que desprendem das paredes do útero o óvulo já fecundado.
-Espermicidas,
-Abstinência sexual,
-Tabelinha, controle dos dias férteis.

Este tema não é um tema comum, do dia a dia dos evangélicos, e mexe com suas vidas, e pode, de repente, ser um tanto controverso, mas a ideia aqui, não é aborrecer ou colocar um fardo sobre os irmãos, mas sim , nos levar a uma reflexão e assim, decidir com mais clareza, quando for o caso.



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