terça-feira, 3 de abril de 2012

Sexualidade Saudável

Na televisão, internet, jornais, revistas, histórias em quadrinhos, cinema, é possível encontrar uma diversidade de materiais que remetem às atividades sexuais. Porém, isso não é sexualidade. Segundo o dicionário online Priberam, sexualidade é o "Modo de ser próprio do que tem sexo". Fazer compras, ir à escola, trabalhar, comer, viajar, amar, ter relações sexuais, enfim, todos os atos do homem, ou da mulher, são sexualidades.

Desde 1997, a partir do voluntariado em uma comunidade, a psicóloga Tonina Miraglia atua com adolescentes e jovens. Percebendo a necessidade de ampliar o tema "sexualidade", ela observou a importância de trabalhar de forma real e com valores cristãos esse assunto. Entre 1998 e 2008, Tonina viajava pelas igrejas, organizações e escolas, ministrando os seminários do Projeto Wait ('esperar' em inglês) -, o nome remete ao objetivo de incentivar os jovens a se manterem virgens até o casamento, aprendendo a conviver com impulsos, desejos e sentimentos naturais. Pais, líderes, professores e principalmente a juventude eram os principais alvos desse trabalho.

Em entrevista exclusiva ao Guia-me, Tonina Miraglia fala sobre sexualidade, igreja, pornografia e dá dicas aos pais para que eles auxiliem seus filhos a terem uma sexualidade saudável.

Guia-me: Qual a sua definição de um adolescente e jovem com uma sexualidade saudável?

Tonina Miraglia: São pessoas que sabem quem são, conhecem o próprio potencial, a partir do Criador, pensam de forma alinhada com o propósito da criação, existência e função. Alguém assim provavelmente vai ser emocionalmente mais equilibrado e a chance da maturidade na análise para tomada de decisão, com escolhas mais conscientes, consequentes e responsáveis, aumenta muito. Ninguém nasce assim. Ao longo da vida a informação que recebe, os estímulos do ambiente, da cultura e da mídia apontam para um caminho que leva a um alvo bem diferente. Precisamos nos preparar e informar nossos adolescentes e jovens com conteúdos que normalmente não estão disponíveis nos nossos dias onde a velocidade valorizada estimula decisões por impulso, que trazem consigo peso, dor, e adolescências literalmente interrompidas.

Guia-me: Como os pais devem abordar assuntos de sexualidade com os filhos de forma bíblica e atual?

Tonina Miraglia: Depende de como eles estão em relação a si mesmos quanto a esse assunto. Nós temos pensamentos, sentimentos e agimos em função disso tudo. Os filhos conhecem os pais. Acredito que nós, que somos pais, professores e líderes, precisamos estudar mais, ler, conversar, nos expor, para crescer nessa área e poder ensinar sem hipocrisia. De modo geral, ameaças, moralismo e religiosidade não ajudam em nada, mas em relação à sexualidade, essas práticas são especialmente nocivas.

Guia-me: Você acredita que a Igreja brasileira está preparada para falar sobre sexo com seus membros? Por quê?

Tonina Miraglia: Eu acredito que sim, mas não sei se estamos organizados o suficiente para fazer isso acontecer. De modo frutífero, precisamos nos unir e nos organizar melhor. Em fevereiro dei um curso para 30 professores em Itaperuçu(PR). Foi um dos trabalhos mais eficazes que realizei nos últimos anos. Trinta professores, que atingirão 900 alunos. Eficaz, não?

Guia-me: Como uma igreja deve tratar um jovem que mantém relações sexuais , porém, diz não encontrar forças para abandonar a prática? Acha correto a disciplina?

Tonina Miraglia: A gente precisa ver o que significa esse "não encontra forças para abandonar a prática". Isso pode significar muitas coisas, desde um comodismo até um transtorno no controle de impulso, que precisa de tratamento psicoterápico e, às vezes, farmacológico também.

Guia-me: Você acredita que pessoas que foram abusadas ou molestadas sexualmente têm mais tendência a uma vida sexual ativa antes do casamento? Por quê?

Tonina Miraglia: Isso pode acontecer. A tendência é muito provável, mas se vai acontecer ou não depende de outros fatores, como um ambiente permissivo ou um ambiente protetor. Mas pode acontecer, sim, como um efeito de violação que atingiu com grande impacto rebaixando a autoestima, trazendo uma distorção na autoimagem e outras consequências possíveis.

Guia-me: Qual o maior desafio que o projeto "Wait" tem encontrado nas igrejas por onde passa?

Tonina Miraglia: O maior desafio é encontrar líderes locais que se comprometam em orientar quanto à prevenção e apoiar e orientar os que já iniciaram, mas agora optaram pela sobriedade nessa área, digamos assim. A manutenção dessa decisão precisa de apoio e orientação.

Guia-me: Têm sido frequentes os testemunhos de cristãos que tiveram problemas com pornografia. Como trabalhar para prevenção? E como auxiliar as pessoas que ainda não conseguem resistir a esses tipos de materiais?

Tonina Miraglia: Sim. É relativamente comum. Na prevenção a gente tem que enfrentar o assunto e informar desde o universo da pornografia, que alimenta a prostituição, a pedofilia, está intimamente ligado ao tráfico de drogas e armas, até as consequências que essa prática pode trazer para a vida de uma pessoa. Sobre quem perdeu o controle, eu vejo bons resultados com terapias combinadas. No meio cristão você pode adotar o modelo de aconselhamento espiritual, chamado de teoterapia, combinada com psicoterapia, porque estamos diante de pessoas que têm crenças distorcidas a respeito de sexualidade, isso precisa ser questionado com bases sólidas e deve acontecer no melhor espaço que eu conheço para essa prática, que é o consultório de um sério e experiente psicólogo ou psicóloga.

Guia-me: Como você atua hoje no projeto "Wait"? A quem o interessado deve procurar?

Tonina Miraglia: Em 2008 meu desafio mudou para Treinamento de Instrutores que ministrarão esse Seminário. Os interessados devem entrar em contato comigo para conhecimento de datas e locais dos cursos que estão sendo organizados. Esse treinamento deve capacitar adultos que orientarão adolescentes e jovens de sua comunidade ou igreja, escolas da sua cidade e outras organizações locais. É preciso divulgar que sexualidade é algo saudável e existem alternativas para essa vivência.

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