domingo, 21 de abril de 2013

Dona Maria, tem frete ???


Na feira, mulher bonita não paga, mas também não leva. Lá, a freguesa encontra frutas fresquinhas, os melhores temperos e, na figura do feirante, um amigo com o sorriso no rosto. Lá se ver de tudo, mais nem sempre é notada a presença de certos profissionais anônimos, falo especialmente das crianças e adolescentes que pela madrugada deixam suas casas e seguem para as feiras livres e lá chegando, trabalham por cinco, seis horas, como carregadores de frete.

Particularmente, quando criança, também exerci tal "oficio" nas feiras de Belo Jardim. Também já vendi confeito, dudu, picolé, laranja, galinha e outros itens, além de pegar frete. Bom seria para a criança e o adolescente estarem totalmente dedicados aos estudos e as brincadeiras de criança, sem precisar desenvolver tais atividades. Todavia,  existe uma serie de fatores que promovem a necessidade do trabalho destes, tais com a conjuntura financeira familiar, a falta de alternativas de ocupação disponibilizadas pelos governantes, a própria vontade do garoto, etc. 

É muito interessante quando conversamos com os garotos e notamos que cada um se vê como um comerciante, que faz da sua carroça a sua empresa. Lembro-me que era uma ótima sensação, chegar ao fim da feira e ter o dinheiro necessário para comprar uma bermuda, um chinelo, ou ainda comer um pastel com caldo-de-cana, sem ter que pedir a ninguém. É certo que alguns até ajudam nas despesas domésticas, mas é uma pequena parte. Na grande maioria dos casos eles trabalham para manter suas necessidades pessoais. E então, é preciso levar em conta os valores adquiridos, tais como, o valor ao dinheiro e as conquistas individuais, responsabilidade, disciplina, relacionamento interpessoal, etc. 

Hoje, eu sou grato a Deus e a meu pai, que me permitiu ter tais experiências na adolescência e que contribuíram para minha formação pessoal e profissional. 

Sei que este é um tema controverso, pois muitos pensam diferentes e de mim e acham que nada disso deveria acontecer e que estes garotos deveriam estar em casa desenvolvendo qualquer outra atividade, que não de trabalho. Mas é preciso deixarmos de hipocrisia, se quisermos de fato intervir na vida dos adolescentes, que o façamos na vida dos muitos que em idade similar estão mergulhados nas drogas e na marginalidade. 

Por meio da Igreja Assembleia de Deus Monte Sião, temos acompanhado a vida de muitos destes garotos nos bairros do Santo Antônio, Cohab II e Cohab III de Belo Jardim, logo posso afirmar que, o fato dos garotos trabalharem na feira chega a ser um motivo para comemorarmos diante da situação de outros que ali vivem.

Assim, no dia de hoje, na Igreja Assembleia de Deus Monte Sião foi realizado um culto de gratidão ao Senhor pela vida de cada um daqueles que pegam frete nas feiras livres. Foi um momento de buscarmos a Deus, além de falarmos a cerca da unidade familiar, do perigo das drogas e da prostituição. Após o culto, nos saboreamos com um belo lanche preparado pelas irmãs. 




Pr. Flávio Nunes
AD Monte Sião
Cohab III - Belo Jardim / PE

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