quarta-feira, 4 de abril de 2012

Desejar Que o Cônjuge Adultere

Sou vítima de um divórcio. Como parte inocente, tenho que torcer para que a outra parte adultere, para que eu esteja livre para casar?


Em primeiro lugar, temos que assumir que esse plano de divórcio e (talvez) novo casamento não é perfeito mesmo, pois não é um plano original de Deus. O divórcio não faz parte dos planos que Deus tem para o homem. Na mente do Institucionalizador do casamento, este foi estabelecido para a vida inteira, e ponto final. Como você sabe, por causa da dureza do coração humano, foi necessário esse S.O.S. chamado divórcio. É tipo uma equipe de resgate diante de uma catástrofe. Funciona tudo às mil maravilhas? Claro que não. Faz-se o que é possível, mas é óbvio que muita coisa acontece numa forma bagunçada mesmo. Porque ninguém planeja uma catástrofe, entende?
Segundo ponto. Não acredito num rompimento de casamento onde exista uma das partes absolutamente inocente (talvez haja uma exceção, daquelas da probabilidade de uma em um milhão). Se o seu cônjuge adulterou, ou se não adulterou mas esfriou-se no amor, a minha primeira pergunta não é para ele(a), do tipo, “por que você fez isso?”, mas sim para você, do tipo “o que você fez ou deixou de fazer para que ele(a) fizesse isso?”. Eu sei que você deve estar indignando-se comigo, mas espere um pouco. Acalme-se. Você deve estar pensando: “mas eu nunca fiz nada de má intenção, nem nunca mal intencionei negligenciar nada; pelo contrário, sempre fiz tudo o que pude e deixei de fazer tudo o que sabia ser errado”. E eu acredito em você. Mas acontece que nem só de boas intenções está cheio o paraíso. A boa intenção destituída do conhecimento não leva a nada. Muitas vezes, não erramos por intenção, mas por não conhecer o correto. Como ninguém se forma para casamento, pois isso não tem como existir, em assuntos matrimoniais, todos nós erramos. Somos cobaias de nós mesmos. É claro que o erro mais alarmante é o do que adultera, ou abandona, mas isso não isenta o consorte, de sua parcela nas falhas ocorridas no matrimônio.
Esse entendimento nos leva a nos conscientizarmos de que não somos tão santos assim, a ponto de podermos ter a moral de querer que o outro termine se lascando mais ainda, no caso, adulterando. Diante disso, como parte menos culpada mas ainda com falhas a reparar, você pode tomar de duas atitudes uma (a que, das duas, estiver ao seu alcance). 1)Durante essa nova fase da vida (de solteiro impedido), trabalhar para reparar os seus erros pessoais, reestabelecer a sua saúde emocional, redimir-se com todos os que ofendeu ou falhou, fazer um reconcerto com Deus e um re-projeto de vida. Esses itens não se fazem da noite para o dia. Leva-se, no mínimo, uns três anos. E lembre-se, enquanto isso, o seu cônjuge também vai estar precisando disso. E tanto você como ele, se forem pessoas sinceras e desejosas de fazer o bem, vão empenhar-se nisso. Se ambos se empenharem, com a melhora de recuperação pessoal que terão, duvido que não caiam na segunda opção seguinte. Ou, 2)Durante essa nova fase da vida (de solteiro impedido), trabalhar para reconquistar o seu casamento. Isso só é possível recomeçando do zero, com a conquista da amizade, a conquista do namoro, da família, da sociedade, e depois, enfim, da intimidade matrimonial. Isso também é um projeto de longa data. Para ambas essas opções é preciso acompanhamento de alguém mais experiente que possa ajudar. Em outras palavras, terapia. Passar por uma separação de casamento e dizer que não precisa de terapia é como estar com tuberculose e dizer que não precisa de remédio, a não ser que seja alguém que, com má intenção, já desejava o divórcio. Isso é lei. Percebe aqui, como seria prejudicial sair de um casamento e já pensar em outro? Nem a lei apóia, nem a psicologia aconselha. Então, o conselho de Deus tem lógica. Mas tem mais.
Suponhamos que você faça parte realmente da honrosa e raríssima exceção de ser alguém realmente absolutamente inocente. Então, ou o seu cônjuge é alguém muuuito doente emocionalmente ou muuuito mal intencionado. Por duas razões: a)dificilmente ela tenha ido para o altar contigo pensando em separar-se; aconteceu. b)se você é tão bom assim e ela não lhe quis mais, tem algo muito errado com ela. Mas, como tudo pode acontecer, eu acredito que isso possa estar acontecendo com você. E se isso estiver acontecendo, então você é sadio emocionalmente o suficiente para ser um solteiro feliz por, pelo menos os próximos cinco anos. Pode parecer muito, mas para alguém que está bem diante da vida com um todo, não é tanto. E se ela é tão errada ou doente assim, é impossível que não vá fazer besteira ou voltar a precisar de você, durante os próximos cinco anos, que serão muuuito longos para ela. Logo, diante disso, ficar os próximos anos sozinho esperando pra ver o que acontece não é ficar torcendo para que a outra pessoa peque; é ficar esperando para que a justiça seja feita; é ficar esperando para que o tempo mostre quem é quem; é descansar nos braços do Pai, dizendo que confia em Seus conselhos mesmo quando parecem sem lógica, deixando para que Ele opere em sua vida, por ter-Lhe entregado o total domínio da mesma.
Então, meu amigo, veja como os conselhos da psicologia (boa, correta e equilibrada por princípios divinos, é claro), de que um divorciado não deve casar-se em menos de três anos de divórcio, a regência [existente até tão pouco recentemente] da lei, de ser preciso dois anos de separação de corpos para comparecer perante o juiz para declarar a separação (um divórcio realizado sem o uso da mentira dificilmente aconteceria em menos de três anos) e os conselhos da Bíblia se harmonizam. Veja que como alguém cujo estado civil ainda é casado você também não poderia, como um cristão, namorar, até ter um documento de divorciado. O tempo da psicologia e o tempo da lei são o tempo que a vida espiritual precisa.
Diante disso, se você é realmente inocente, eu lhe dou o seguinte conselho. Não deseje nada. Apenas descanse nos braços do Pai e faça a sua parte, procurando fazer tudo o que você sabe e que estiver ao seu alcance, que seja correto nesse assunto. Faça terapia. Busque aconselhamento. Leia bons livros sobre o assunto e aprenda a ser um solteiro feliz. Psicologicamente, você precisa isso, para entrar num próximo casamento (seja um novo ou a volta do primeiro); e sem isso a entrada num próximo relacionamento é fadada ao fracasso obvio. É por isso que a estatística aponta que os segundos casamentos acabam com muito mais freqüência e muito mais rápido do que os primeiros casamentos. Na prática, você precisa ficar uns dois anos sozinho, depois ter boas amizades com o sexo oposto. Destas boas amizades uma precisará fazer brotar um namoro, que entre período de namoro e noivado ainda levará uns dois anos para lhe dar um próximo e bom casamento. Ou seja, não dá pra pensar em casar em menos de quatro ou cinco anos. Isso é lógico e psicológico. Se você fizer essa sua parte, Deus vai fazer a dEle. De três coisas, uma acontecerá: 1)Você receberá o dom supremo e raríssimo que Paulo recebeu e quererá viver o resto da vida solteiro; ou 2)Seu cônjuge terminará demonstrando que tipo de personalidade desestruturada ela tem, arrumando outra pessoa para si, mesmo ferindo princípios; ou 3)Vocês acabarão reestruturando o primeiro. Mas como eu disse, não deseje nada, porque não cabe a você julgar. Isso pertence a Deus. Então, deixe que a justiça seja feita por Ele e efetuada através do tempo.
Desejo que Deus abençoe o seu coração. Se precisar de ajuda emocional, continue escrevendo-nos, leia bons livros de editoras cristãs sobre o assunto, procure um psicólogo cristão, participe de uma igreja e mantenha a leitura diária da Bíblia e o tempo diário de oração pessoal e particular.

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