quarta-feira, 4 de abril de 2012

O impacto da pornografia no casamento e na família



Por Jill Manning

Discurso ante a Subcomissão de Direitos Constitucionais, Civis e de Propriedade do Senado americano 9 de novembro de 2005
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Obrigado, distintos membros da Subcomissão. Agradeço a oportunidade de falar aqui aos Senhores.

Desde o advento da Internet, a indústria pornográfica tem se beneficiado de uma proximidade sem precedentes com os ambientes do lar, do trabalho e da escola. Como conseqüência, casais, famílias e indivíduos de todas as idades vêm sendo impactados pela pornografia de maneiras novas e frequentemente devastadoras.

Embora muitos pais trabalhem diligentemente para proteger sua família de materiais sexualmente explícitos, uma pesquisa patrocinada pelo Congresso mostrou que a pornografia pela Internet tem sido “muito intrusiva” [1]. Além disso, sabemos que uma variedade de práticas ilegais, fraudulentas e anti-éticas vem sendo usadas a fim de atrair novos clientes e erotizar atitudes que minam a saúde pública e a segurança. Esta investida em busca do lucro compromete o bem-estar de nossa juventude, e viola a privacidade daqueles que não desejam ficar expostos.

Alguns importantes especialistas no campo das adições (vícios) sexuais declaram que a atividade sexual on-line “está explodindo, e é um veneno para a saúde pública, em parte porque bem poucos a reconhecem como tal ou a levam a sério” .

As pesquisas mostram muitos efeitos sistemáticos da pornografia pela Internet, e que estão minando uma já vulnerável cultura do casamento e da família. Ainda mais perturbador é perceber que as primeiras gerações que cresceram usando a Internet ainda não atingiram a plena maturidade, portanto o alcance desses impactos ainda está por ser constatado. Adicionalmente, as numerosas pesquisas sobre os efeitos negativos apontam que é extremamente difícil, se não impossível, cidadãos comuns ou famílias combaterem sozinhas.

Este discurso não está fundamentado em relatos casuais baseados em pontos de vista pessoais, mas sim em achados de estudos publicados em revistas científicas reconhecidas. Eu entreguei à comissão um resumo dessa pesquisa, e peço que seja incluído nos autos.

A relação conjugal é um ponto lógico a ser examinado, pois consiste no fundamento da unidade familiar, e a união sexual é facilmente desestabilizada por influências externas à aliança marital. Além do mais, a pesquisa mostra que a maioria dos usuários de internet é casado, e a maioria das pessoas que procura ajuda para comportamentos sexuais problemáticos são homens heterossexuais casados. A pesquisa indica que a visualização e o consumo de pornografia pela internet está ligado aos seis tópicos seguintes, entre outros:

1. Aumento dos conflitos conjugais, com risco de separação ou divórcio;
2. Diminuição da intimidade conjugal e da satisfação sexual;
3. Infidelidade;
4. Desejo crescente por tipos mais explícitos de pornografia e atividade sexual associados com práticas abusivas, ilegais ou perigosas;
5. Desvalorização da monogamia, do casamento e da criação dos filhos;
6. Aumento no número de pessoas que lutam contra comportamentos sexuais compulsivos e aditivos (viciantes).

Estas tendências refletem um grupo de sintomas que prejudicam o fundamento sobre o qual os casamentos e as famílias bem sucedidas estão estabelecidas.

Enquanto a união matrimonial é a relação mais vulnerável à pornografia pela Internet, as crianças e adolescentes são o público mais vulnerável.

Quando uma criança vive em um lar onde um adulto está consumindo pornografia, ele ou ela encontra os seguintes riscos:

1. Diminuição da atenção e do tempo gasto pelos pais para com ele;
2. Aumento no risco de encontrar material pornográfico;
3. Aumento no risco de separação ou divórcio dos pais;
4. Aumento no risco de perda de emprego dos pais ou problemas financeiros.

Quando uma criança ou adolescente fica diretamente exposto à pornografia, os seguintes efeitos foram documentados:

1. Respostas emocionais traumáticas ou permanentemente negativas;
2. Precocidade maior da primeira relação sexual, aumentando portanto o risco de contrair DST’s ao longo da vida;
3. A crença de que a satisfação sexual plena é conseguida sem ter afeição pelo parceiro, reforçando, portanto, a comercialização do sexo e a objetificação de seres humanos;
4. A crença de que estar casado ou ter uma família são prospectos negativos;
5. Aumento no risco de desenvolvimento de compulsões sexuais e de comportamento aditivo (de vício);
6. Aumento no risco de exposição a informações incorretas acerca da sexualidade humana, muito antes que um menor seja capaz de contextualizar essas informações do modo que um cérebro adulto é capaz;
7. Aumento na ocorrência de práticas menos comuns (por ex.: sexo em grupo, bestialidade, ou atividade sado-masoquista).

Os Estados Unidos estão colocados entre os maiores produtores e consumidores de pornografia no mundo, e por isso o governo federal tem uma oportunidade única no sentido de ser o pioneiro em lidar com esse problema e seus danos.

Isso poderia incluir uma variedade de ações, por exemplo:

- Educar o público sobre os riscos do consumo de pornografia;
- Apoiar pesquisas que examinem os aspectos atualmente conhecidos da pornografia pela Internet;
- Alocar recursos para dar suporte a leis já em vigor, e por fim
- Implementar legalmente soluções técnicas que possam separar o conteúdo da Internet, permitindo aos consumidores escolher o tipo de conteúdo legal a que desejam ter acesso.

Concluindo, estou convencido de que a pornografia pela Internet está prejudicando as novas gerações de tal modo que suas chances de usufruir e manter relacionamentos duradouros estão sendo destruídas. Espero que este comitê venha a ponderar cuidadosamente medidas para reduzir os danos associados com a pornografia pela Internet. Agradeço ao comitê pela oportunidade de falar, e estou à disposição para suas perguntas.
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[1] Mitchell, K. J., Finkelhor, D., Wolak, J. (2003). The Exposure of Youth to Unwanted Sexual Material on the Internet: A national survey of risk, impact, and prevention. Youth Society, 34(3), pp. 330-358.

[2]Cooper, A., Delmonico, D. L., Burg, R. (2000). Cybersex users, abusers, and compulsives: New findings and implications. Sexual Addictions Compulsivities, 7, 5-29.
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A Dra. Jill Manning é uma terapeuta de família que atende pessoas, casais e famílias que possuem uma variedade de dificuldades de relacionamento, questões d emudança de vida e crises pessoais. Suas áreas de especialidade incluem: comportamentos sexuais problemáticos, pornografia pela Internet, esposas de viciados em pornografia, ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, luto e saúde mental feminina.

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